29 abril 2015

Afinal de que falo eu?


Conto "histórias" de recordações baralhadas na minha memória, pequenos fragmentos de verdades monocromáticas a que acrescento algumas pinceladas de cor.

Algumas são negativos de acontecimentos que se gravaram na minha alma como parte do meu ser.
Umas inexistentes no mundo real, são realidades da minha ilusão e que de tão "verídicas" ia jurar que lhes senti o sabor.
Tantas outras pertencem a alguém que não eu e que tão pouco conheço.

Sem moral.

São desprovidas de julgamentos, completamente livres para subsistirem por si mesmas e viverem perdidas no tempo e no espaço.

Em comum têm a paixão que lhes foi injectada na hora da criação e o agradecimento por viverem através de mim.

Adormecidas pela inércia da vida, bélicas pela convulsão desenfreada de estarem vivas.

Sempre minhas, por mim e para Ti!
Para ti que me lês e me tentas decifrar pelas palavras que contradizem o meu ser.

- E afinal quem sou eu?
  Sou as palavras que aqui escrevo ou os gestos que vês?

Aqui falo de "histórias" tão minhas... tão tuas... tão nossas.
Aqui invento verdades irrefutáveis de qualquer razão superior ou lógica.
Aqui deixo os pensamentos desvairados e as paixões eternamente fugazes.
Aqui escrevo sobre nós, da união perfeita da loucura com a sanidade.

- E afinal de que falo eu?


Dєiα ツ

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